• Cecilia Leite

O astral da virada


Final de ano sempre é uma época de expectativas, de revisão, e de renovação de esperanças. Mesmo quem não comemora o calendário cristão, de alguma forma se vê envolvido nesse clima de encerramento que toma conta da sociedade. Muitos fazem um balanço do que aconteceu durante o ano, e outros, já de tão exaustos, não vêem a hora de que ele acabe.


Para a Astrologia, o encerramento do ano não se dá em 31 de dezembro, e temos o início de um ano astrológico com a entrada do Sol no signo de Áries, o que acontece no equinócio de outono, aqui no Hemisfério Sul. Aí sim temos o término de um ciclo no zodíaco, e o início de outro. Agora, em 1° de janeiro, não temos nenhuma virada astrológica marcante.


De qualquer forma, como vivemos em uma cultura que comemora largamente o ano novo no início de janeiro, tem-se aí o marco de um novo período, e pode-se analisar o mapa desse momento. Como dizia Jung: "Qualquer coisa que nascer ou for feita num momento particular de tempo, tem a qualidade deste momento". Assim, analisar o mapa do céu no momento da virada, pode dar algumas pistas da energia que está entrando em andamento.


Tenho visto muita gente dizer que vai começar o ano do Sol. Não é agora. A regência planetária refere-se ao ano novo astrológico, que vai ocorrer lá no final de março. E também não são todas as linhas astrológicas que consideram essas regências, tem muitos outros fatores a serem analisados para se entender corretamente a ênfase de um período astrológico. Mas do ano novo astrológico, falaremos mais exaustivamente adiante. Por ora, vamos dar uma olhada no astral do momento da virada.


Estaremos com cinco planetas em Capricórnio: Sol, Mercúrio, Júpiter, Saturno e Plutão. A tônica capricorniana, que já dá o ar de sua graça, estará ainda mais enfatizada no revéillon e marcará profundamente todo o ano, com conjunções importantíssimas e raríssimas nesse signo. Já estamos falando sobre isso há algum tempo, e com certeza ainda vamos explorar esse acontecimento cósmico em outras oportunidades, pois trata-se de um evento muito marcante individual e coletivamente. Os textos Saturno e Plutão juntos e Júpiter em Capricórnio podem ajudar a esclarecer um pouco da profundidade desses tempos.


A ênfase capricorniana no ano que se inicia já mostra que ele não será para brincadeiras. Capricórnio traz a realização e a consolidação, mas somente para quem trabalha incansavelmente com determinação e comprometimento. Quando Capricórnio está presente a competência é exigida. Seu regente Saturno, que está no momento transitando nesse signo, limita, restringe, exige, critica. Pois ele quer a mestria. Mas tudo que é construído sob seus auspícios tem base sólida para se perpetuar ao longo do tempo. Capricórnio tem que ser obstinado para chegar ao topo da montanha. Por isso é muito importante que se escolha o destino correto a subir, pois, se depois de tanto esforço, se chegar à conclusão de que escalou-se a montanha errada, a frustração será grande.


Para se alinhar com essa energia, portanto, é necessário, antes de tudo, ter metas claras, um planejamento consistente, foco e disciplina para manter-se persistente mesmo em frente aos obstáculos que certamente irão surgir. Deve-se também estar pronto para os testes de Saturno, que virão para garantir a perícia e a competência exigidas. Mas Saturno é realizador e consolidador, e essa será uma época de esforços recompensados, onde será possível observar os frutos do próprio trabalho.


Além de todos esses planetas em Capricórnio, estaremos com o Nodo Sul também nesse signo. Esse é um ponto calculado, e não um corpo celeste. Existem dois pontos onde a órbita da Lua ao redor da Terra, se encontra com a órbita da Terra ao redor do Sol, e que formam um par a que chamamos de eixo nodal. Aí acontecem os eclipses, que são alinhamentos entre Sol, Terra e Lua. Tem texto sobre isso: Eclipses.


Esse eixo nodal, muito valorizado nas culturas antigas como na Cabala e na Astrologia Védica, tem um simbolismo da maneira como a vida evolui. No Nodo Sul temos a representação do que trazemos em nossa bagagem, e no Nodo Norte o caminho não conhecido que nos aguarda. Esse é um tópico que merece um texto especial, mas por agora vamos entender que, estando o Nodo Sul junto com todos esses planetas em Capricórnio, existe um pedido cósmico de libertação do passado. O Nodo Norte nos aponta em direção ao amor maternal canceriano, a sermos mais sensíveis e empáticos, a aprendermos a nos nutrir emocionalmente e abandonarmos nossas carências. O Nodo Sul em Capricórnio, cutucado por tantos planetas, traz o nosso lado árido e duro à tona para revermos padrões e conceitos. Com Plutão aí, existe uma transformação profunda em andamento. É necessário reconstruir numa base mais amorosa e em verdade com nossa essência.


E com esse posicionamento de nodos, estaremos na virada do ano em um período entre eclipses. Esses acontecem sempre aos pares (um lunar e um solar), com um intervalo de 15 dias. E teremos um eclipse em 26 de dezembro de 2019 e outro em 10 de janeiro de 2020. Portanto nas festas de final de ano estaremos sob a influência desses eclipses. Esses são ápices energéticos e recomendo que quem queira entender melhor seus efeitos leia o texto Eclipses. Lá explico conceitualmente e simbolicamente o que representam e como podem nos afetar. Aqui, para não me estender, vou apenas mencionar que é uma época conturbada emocionalmente, mas muito propícia para perceber coisas que não estávamos conseguindo alcançar. O efeito dos eclipses pode ser sentido nos seis meses subsequentes à sua ocorrência, e como acontecerão no eixo Capricórnio / Câncer, isso enfatiza esses processos capricornianos que estaremos passando durante esse ano.


No momento da virada, Saturno e Plutão já estarão em uma conjunção bem próxima, com 1° de distância entre eles. A conjunção exata se dará em 12 de janeiro. Também tem texto sobre isso: Saturno e Plutão juntos. Mas podemos entender que estaremos sob uma cobrança já bastante intensa desse aspecto dentro de nós.


A Lua, que tem um trânsito extremamente rápido, fica pouco mais de dois dias no mesmo signo, no momento da virada estará em Peixes, em conjunção muito próxima de Netuno, um dos regentes desse signo. Isso poderá ser aproveitado de diversas formas. Esses dois planetas estarão fazendo um aspecto muito fluido com a conjunção de Capricórnio, o que indica um potencial grande de cura de nossa alma. A Lua em Peixes com Netuno traz uma sensibilidade muito exacerbada e o fluir das águas emocionais profundas, que Plutão pode ajudar a transmutar. Pode ser um momento de reconhecimento de nossas dores, com a compaixão e a força necessárias para deixá-las para trás. Para quem estiver fazendo um retiro no final do ano, por exemplo, esse é um aspecto muito favorável, que facilita a meditação e a conexão espiritual. No entanto, como tudo tem sempre dois lados, esse aspecto também favorece a melancolia em algumas pessoas, e o escapismo, que pode facilmente acontecer por meio de vícios e excessos. Portanto cuidado com as festas de final de ano, no que diz respeito ao exagero de bebidas e outras drogas.


A distribuição dos planetas nas casas depende da localidade para onde se traça o mapa. Aqui para São Paulo, na virada estaremos com o Ascendente em Libra, e sua regente Vênus em Aquário na casa 5, o que traz uma energia amistosa de compartilhamento, um tom festivo e sociável. Todos os planetas de Capricórnio estarão na casa 4, representando uma ênfase na importância familiar e ancestral.


Para compreender como essa energia afeta particularmente cada um, é necessário analisar o mapa individual. De qualquer maneira, observando dentro de si o movimento que já está acontecendo, é possível perceber o que pode ser feito para se alinhar melhor com esse momento que estamos vivendo. Aproveite esse finalzinho de ano gregoriano para se desprender do que não está funcionando e recalcular a rota. Temos um ano intenso pela frente. E por mais que nos pareça extremamente desafiador, são esses os momentos que nos propiciam um salto de consciência. É difícil perceber isso enquanto o furacão está acontecendo, mas depois, olhando em retrospecto, conseguimos perceber a beleza e a importância desse tempo.

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