• Cecilia Leite

Eclipses


Desde sempre os eclipses foram objeto de interesse das pessoas... Em tempos mais antigos eles eram vistos com temor, pois eram relacionados a eventos de grandes proporções para a sociedade, muitas vezes desafiadores. Ainda hoje eles despertam curiosidade e até desconfiança... Mas afinal, o que eles representam?


Eclipses são eventos astronômicos que possuem um significado astrológico. Eles acontecem em momentos onde o Sol, a Terra e a Lua se alinham. Existem assim, dois tipos de eclipses: os solares e os lunares. Nos eclipses solares, que acontecem sempre em uma Lua Nova, a Lua se sobrepõe ao Sol, passa na sua frente, escondendo a sua luz. Nos eclipses lunares, que acontecem sempre em uma Lua Cheia, é a Terra que se coloca entre Sol e Lua, e portanto projeta sua sombra na Lua. Não é de estranhar que os antigos se assustassem com esses fenômenos, uma vez que os luminares, considerados doadores da vida, ficavam "apagados" em certos momentos, de repente vinha a escuridão.


Para entender o simbolismo astrológico do eclipse, é necessário primeiramente compreender o significado dos astros envolvidos. O Sol é a fonte de vida, e é ligado à essência, ao propósito, ao caminho a ser trilhado. Ele é luz, representa o dia, a claridade, a consciência. Já a Lua não tem luz própria, é receptiva, tem relação com o escuro, a noite, o inconsciente. A Lua carrega nossas memórias escondidas, aquilo que não vemos, nossas sombras. E a Terra, somos nós.


Assim, em um eclipse solar, quando o Sol fica escondido pela Lua que toma a frente e impede os raios solares de chegarem a Terra diretamente, podemos entender que, por alguns instantes o passado vem a frente, situações antigas podem retornar, da mesma forma que nossos sentimentos guardados ficam mais em evidência. A luz do Sol (da consciência) fica por alguns instantes eclipsada, e as nossas escuridões tomam a dianteira e se mostram mais facilmente. Isso pode trazer confusão, insegurança, mas também pode favorecer a solução de conflitos internos, já que eles vem à tona e precisamos lidar de alguma forma com as questões levantadas. Quando a luz se apaga, precisamos enxergar no escuro... É confuso, desconfortável, mas pode fazer com que percebamos coisas que antes não havíamos nos dado conta.


Com o Sol, que representa nossa vitalidade, eclipsado, podemos nos sentir menos dispostos no período próximo a um eclipse solar. O Sol é também a nossa consciência, o nosso discernimento, então em um eclipse dessa natureza, a nossa capacidade de julgamento pode ficar prejudicada. Há, no entanto, a promessa de novos começos, pois trata-se de uma Lua Nova, um início de ciclo. Ou seja, apesar da turbulência, e também por conta dela, existe um potencial de se resolver questões do passado e iniciar uma nova etapa.


Em um eclipse lunar é a sombra da Terra que encobre a Lua, e portanto o inconsciente é que fica eclipsado. A Terra fica entre a Lua e o Sol, passado e futuro. A luz da consciência pode prevalecer e ajudar a nos desfazer de hábitos antigos. O eclipse lunar é uma Lua Cheia potencializada, com efeitos majorados. Em luas cheias as emoções ficam mais afloradas, as situações chegam ao seu ápice e conseguimos enxergar as coisas com mais clareza. Um eclipse lunar pode portanto ser aproveitado como uma oportunidade de expandir a consciência.


A nível pessoal os eclipses não afetam todos da mesma forma. Muita gente pode nem sentir o efeito de um eclipse. Normalmente eles são mais notados por indivíduos que possuem pontos importantes do seu Mapa Natal próximos ao grau onde acontece o eclipse. E para analisar seus efeitos é necessário observar em que signo ocorre, qual o setor da vida (casa astrológica) ativado, os aspectos envolvidos, tanto dos planetas em trânsito como dos planetas individuais. Ou seja, para entender como um determinado eclipse poderá ser sentido por alguém, é necessário fazer uma análise individualizada.


A Astrologia Médica aconselha que não sejam realizados procedimentos de grande importância nos dias próximos a eclipses, não somente por conta da confusão e possibilidade de enganos que essa época favorece, mas também porque, no caso de eclipses lunares (Lua Cheia), o corpo retém mais líquidos e aumenta a possibilidade de hemorragias, edemas, inchaços. O corpo pode demorar mais para se recuperar de uma intervenção nesses momentos e pode estar mais sensível, o que pode trazer algum desconforto. Claro que existem situações de emergência, e sempre um médico é que poderá dizer o período mais conveniente para qualquer procedimento. Também não há razões para preocupações pois não são todos que são afetados, mas pode ser uma boa ideia evitar esses períodos quando for possível escolher a data.


Os eclipses tem um efeito também a nível global, com mudanças de rumos que afetam a sociedade, ou com eventos naturais muitas vezes de grandes proporções. Por isso eram temidos pelos povos antigos, que viam os luminares serem engolidos pela escuridão e relacionavam com os fenômenos fatalistas que aconteciam na mesma época. Hoje estudos já mostram que existem alterações no campo eletromagnético da Terra no momento dos eclipses, o que justifica a interferência nas comunicações, o desencadeamento de fenômenos naturais e a alteração em nosso campo áurico, que pode trazer os desequilíbrios físicos ou emocionais.


Existem eclipses totais ou parciais, na medida da quantidade de sombra que produzem nos luminares, encobrindo-os total ou parcialmente. Diz-se que os efeitos são mais sentidos nos eclipses totais, e na região onde são visíveis. Todos os anos temos quatro ou cinco eclipses, divididos em duas séries com intervalo de seis meses. Em cada série temos um eclipse lunar e um solar, ou vice versa, com intervalo de duas semanas (um na Lua Nova e um na Lua Cheia). Em um ciclo de 18 anos temos o conjunto de eclipses que acontecem em todo o zodíaco. Durante cada ano e meio aproximadamente, portanto, eles acontecem em um determinado eixo astrológico, em um par de signos opostos.


Os efeitos dos eclipses podem ser sentidos desde uns dias antes, até 6 meses depois, já que processos são desencadeados, situações são precipitadas, gatilhos são acionados no momento do eclipse, mas o desenrolar dos acontecimentos pode se dar até a próxima série de eclipses.


Como utilizar melhor esses momentos?


O ideal é observar sempre, entender e correlacionar para seu caso pessoal. Não devemos nunca ter medo de nenhum evento astrológico. Eles indicam o tempo dos acontecimentos, mas tudo depende de como conduzimos a nossa vida. Se você conhecer um pouco da Astrologia e souber as áreas da vida possivelmente afetadas será mais fácil correlacionar as situações. A Astrologia natal (aplicada a cada indivíduo) é extremamente particular porque depende não somente do mapa individual de cada um, como também da maneira e da consciência com que cada um conduz a sua vida. Então o ideal é sempre a observação para seu caso particular, entender como cada movimento interfere no seu campo pessoal.


E outra coisa importante a ressaltar é que muitas vezes esperamos grandes acontecimentos de um evento astrológico, ou mesmo de um trânsito, e precisamos lembrar que em muitas situações tudo se passa em um campo sutil, mas não menos importante. Muito pelo contrário. Muitas vezes uma mudança na forma de pensar, por exemplo, pode conduzir a grandes transformações futuras, e, se não estivermos atentos, não vamos perceber que houve essa alteração, e muito menos relacioná-la com o trânsito em questão. Então, ao observar, é importante estarmos atentos a tudo, desde eventos externos que nos acontecem, até mudanças sutis em nosso campo energético, pensamentos que temos, emoções que são desencadeadas.


De qualquer forma, em períodos de eclipses, se sentir cansaço, necessidade de introspecção, respeite o corpo e aproveite o momento. Os insights só aparecem no silêncio da mente. Evitar decisões importantes de grande impacto na vida, também pode ser uma boa dica. Manter-se consciente dos ciclos internos e externos é uma maneira de entender nossos processos, conseguir mais equilíbrio e direcionar melhor nossos caminhos.


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