• Cecilia Leite

A linguagem das plantas

As plantas sempre foram nossas aliadas nessa jornada na Terra. Desde tempos antigos elas são utilizadas para diversos fins, desde a alimentação, até cuidados com a saúde, passando pela limpeza dos ambientes, pela confecção de amuletos, pela decoração e tantos outros usos. Quando não haviam pesquisas científicas que orientavam essas utilizações, elas eram realizadas de maneira empírica e experimental.


As erveiras, os boticários, os alquimistas, os magos e os xamãs, todos aqueles que tinham sua sabedoria diretamente ligada à natureza, conheciam todas as plantas através da sua vivência com elas, da observação, não só dos efeitos produzidos por elas quando utilizadas, mas também das suas formas. E então, tudo era um sinal: onde essa planta nascia, se vivia sozinha ou em grupos, se era parasita, quem crescia ao seu redor, em que época florescia, o tamanho e a forma de suas folhas, a cor de suas flores, enfim, tudo tinha uma mensagem a transmitir.


Com o passar dos anos, o distanciamento que fomos criando com relação a natureza, fomos perdendo essa sensibilidade. Com o desenvolvimento da ciência, que trouxe cada vez mais respostas, fomos perdendo o interesse em descobrir por nós próprios o que cada ser aqui da Terra carrega como virtude. Quando escrevo cada ser, estou realmente me referindo a cada forma manifestada, porque apesar deste artigo tratar especificamente das plantas, isso pode ser estendido para a observação dos cristais, dos animais, dos fenômenos da natureza, do próprio homem.


Mas, voltando às plantas... Existe uma forma bastante conhecida popularmente de associação entre os alimentos e suas funções, pela forma do mesmo. Quando se corta uma seção de uma cenoura, por exemplo, obtemos uma imagem semelhante a íris de um olho, e ela é rica em vitamina A importantíssima na manutenção da saúde dos olhos. Da mesma forma, nozes se assemelham a um cérebro, e possuem ácidos graxos e compostos neuroprotetores. E inúmeros outros casos, como o tomate vermelho e com quatro cavidades como o coração, assim como a manga que também tem seu formato próximo ao desse órgão, o gengibre cujo formato se assemelha ao estômago, a sálvia que possui formato de língua e é excelente para afecções bucais e da garganta e tantos outros. Ou seja, de certa forma, a mãe natureza nos facilitou o acesso à informação sobre os alimentos corretos em caso de necessidade.


Entretanto, como mencionei, várias outras coisas podem ser observadas. O terreno em que ela nasce indica muito da sua "personalidade", e portanto da qualidade que ela distribuirá ao mundo. Plantas de sol aberto podem ser antidepressivas e boas para hidratar a pele, como a calêndula por exemplo, que pela sua cor alaranjada traz o Sol para perto de nós. Plantas de terrenos alagados trabalham as águas dentro de nós, algumas sendo inclusive diuréticas. Plantas que nascem em lugares isolados e de difícil acesso devem ser utilizadas com mais comedimento, e aquelas que nascem no meio das multidões tem usos mais abrangentes, com menos contra indicações.


O formato das folhas tem relação com os elementos: folhas pontudas se relacionam com o fogo, e podem ser plantas de limpeza e cortes de energia como a espada de São Jorge, as mais plumadas se associam ao elemento ar, e trabalham a fluidez, as maiores e mais pesadas se relacionam com a terra, promovendo aterramento e as folhas sem corte se relacionam com a água, ajudando na limpeza interna do corpo. A distribuição das folhas nos galhos, a sua coloração, a textura que apresentam também vão trazer informações importantes sobre a sua potencial função.


Existem observações mais refinadas como a das famílias botânicas e suas características, do tipo de flores, e suas características pelo formato, número e cor das pétalas, do tipo de folhas, presença de espinhos ou gavinhas, enfim é um estudo vasto.


Também com relação aos óleos essenciais que algumas produzem muita informação pode ser obtida pela observação. Tudo pode ser levado em consideração: a parte da planta de onde o óleo é extraído, a família olfativa a que pertence, a sensação que desperta em nosso corpo... Uma análise bem superficial já traz algumas informações. Por exemplo, as flores são os órgãos reprodutores das plantas e seus óleos essenciais normalmente são afrodisíacos, e também trabalham a amorosidade, a aceitação. As resinas são obtidas a partir de cortes na casca da árvore, onde elas são como cicatrizantes para a ferida que foi feita. E o óleo obtido da destilação dessas resinas normalmente é excelente para a pele. Aromas frescos remetem a limpeza e muitos deles facilitam a respiração e trazem clareza. Aromas terrosos são secos, lembram raízes, ajudam a nos centrar no aqui e no agora. Quanto mais nos aprofundarmos, mais rico será o conteúdo que vamos conseguir extrair.


Não podemos esquecer que, desde sempre, as plantas, para uso na saúde e no equilíbrio das pessoas, podem ser utilizadas de diversas formas. Existe o uso fitoterápico, que leva em consideração os princípios ativos da plantas (atuação química), o uso fitoenergético que observa a energia da planta (se ela é quente, fria, seca, úmida, yin, yang...) e existe o uso mágico das plantas, que se utiliza da botânica oculta da planta (que aliás é conhecido desde a época de Paracelso), suas características intrínsecas e não visíveis (pelo menos para olhos comuns). Assim, as plantas são utilizadas em diferentes preparados, desde chás, emplastros, remédios, sachês até para banhos, benzimentos, amuletos, limpeza energética. Em textos antigos eu já escrevi sobre os usos das ervas: Um jardim de possibilidades, As ervas em nosso equilíbrio energético.


Uma coisa bastante importante para observar é que as plantas que nascem perto de nós normalmente são aquelas que precisamos. Vibração, sintonia. Temos um campo energético e tudo a nossa volta também. Aquilo que ressoa conosco vai vingar e vai crescer. Ou seja, as sementinhas que estão lá escondidas no solo, ou que o passarinho vai trazer, e que vão brotar, estarão em ressonância conosco. E provavelmente conterão o remédio que precisamos naquele determinado momento. Portanto não arranque as plantinhas que por ventura brotarem no seu jardim sem terem sido convidadas, Principalmente aquelas que insistem em aparecer. Provavelmente estão lá para ajudar a curar algum aspecto seu.


Existem muitas associações possíveis das plantas com os planetas, ou mesmo com os signos, ou até mesmo com os planetas nos signos (já vi um estudo feito dessa forma). A principal fonte é Paracelso, que era médico, alquimista e astrólogo, e que tem uma enorme estudo sobre o que chamou de Fisiognosia vegetal, a ciência das correspondências astrais, que nos ensina a conhecer, por seu aspecto exterior, as forças secretas de cada uma das plantas.


Essas correlações são feitas levando em consideração o vasto significado dos símbolos astrológicos e também toda a leitura feita das plantas. Assim, existem diferentes listas de plantas atribuídas ao mesmo planeta (ou signo). Não existe a certa, ou a errada. São maneiras de enxergar e perceber. O que importa é que exista um conhecimento sedimentado tanto da astrologia como das plantas para se fazer uma correlação que tenha sentido para um determinado fim.


Assim, se houver um domínio do entendimento de qual é a desarmonia do ponto de vista astrológico, e um profundo conhecimento do que cada planta pode fornecer em cada nível, ela pode ser utilizada para aquele caso. Como eu sempre menciono, e vou reforçar, não existe receita pronta. Não existem relações definitivas entre astros, plantas, florais, aromas, cristais, seja lá o que for. São sistemas diferentes, e para serem corretamente utilizados, precisa haver um entendimento profundo da natureza do individuo e também das ferramentas que se pretende utilizar. É extremamente perigoso dizer que essa é a erva dos capricornianos, ou aquele é o cristal para os arianos. Não funciona assim. Existe um mapa natal individualizado, um momento astrológico em andamento, e tudo precisa ser analisado, para que a ferramenta correta seja prescrita. E há de se ter pleno conhecimento das ferramentas, não preciso nem dizer...


Também não é possível fazer uma analogia entre a patologia e a erva a ser utilizada (já que esse artigo trata das plantas, pois isso se aplica a qualquer outra ferramenta). Pode ser que a causa para a desordem manifestada tenha várias naturezas diferentes (e muitas vezes opostas entre si) e, consequentemente, a maneira de lidar não será a mesma. Por exemplo: uma bronquite pode ter características de frio, ou de calor (pode ser desencadeada por aspectos tensos de Saturno ou de Marte afligindo Mercúrio, ou o signo de Gêmeos), e assim, as ervas a serem utilizadas para trazer de volta ao equilíbrio serão bem diferentes, podendo alguma, inclusive, agravar os sintomas se for utilizada equivocadamente. Ou seja, para se utilizar de um sistema qualquer, é necessário conhecer bem esse sistema.


Quando se trata de saúde é necessário se cercar de bons profissionais, habilitados para exercer a função a que se propõem. Consultar um médico é sempre importante, pois é ele que é credenciado para tratar das diferentes questões da saúde (na realidade hoje em dia cuida-se mais das doenças do que propriamente da saúde). No entanto, estudar e conhecer cada vez mais, vai ampliando o nosso campo de percepção das coisas ao nosso redor, da vida e de nós mesmos, e pode nos dar indícios de como manter o nosso equilíbrio e como viver melhor.


Para entender as plantas não basta simplesmente olhar e achar que ela deve ser boa para isso ou para aquilo. Isso pode ser até perigoso. É necessário pesquisar, se aprofundar, e hoje existem muitos meios para isso. No entanto, esse texto tem o objetivo de despertar a curiosidade e aguçar a percepção para as formas de vida que estão ao nosso redor, e muitas vezes nem enxergamos.


Tudo no Universo está transmitindo uma mensagem. E essa mensagem pode nos ser muito útil, pode abrir a nossa consciência, melhorar a nossa saúde e a nossa vida de maneira geral. Em tudo tem um recado. Às vezes passamos anos nos debatendo com um problema, e a solução está a nossa frente, mas não estamos disponíveis para enxergar. Desenvolver a habilidade de ler o que a natureza nos oferece, de entender o mundo através dos sinais que estão ao nosso redor, amplia muito a nossa capacidade de ser o nosso próprio curador, de não deixar que o mal se instale em nós. Temos a tendência de achar que os símbolos são abstratos e nada tem a ver com a nossa realidade concreta, mas é justamente o contrário, eles sinalizam com muita clareza a real natureza que esconde por trás da aparência ilusória.

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