• Cecilia Leite

Os quatro elementos

Fogo, Terra, Ar e Água. Esses são os quatro elementos que, segundo a Astrologia, formam a base de todas as coisas manifestadas. Tudo é composto por esses elementos, em diferentes proporções. E eles podem ser entendidos e observados em vários planos, de diversas formas diferentes, com propósitos diferentes.


Muitas tradições antigas descrevem a matéria através da combinação dos elementos. Isso se dá no plano físico, no energético, no psicológico, nos planos sutis, e tem a função de explicar os mecanismos vitais, a interação entre as coisas, os fenômenos naturais. Muitos sistemas de saúde como a Medicina Tradicional Chinesa e a Ayurveda tem toda a sua fundamentação na interação e no equilíbrio entre os elementos, ainda que utilizem descrições diferentes dos elementos.


Na astrologia, esses quatro elementos formam a base (juntamente com as modalidades) que fundamentam a descrição dos signos. E foram utilizados desde a antiguidade pelos médicos da época para basear diagnósticos e tratamentos. Sim, até a Idade Média, os médicos tinham Astrologia como matéria obrigatória, e os mais famosos médicos antigos eram também astrólogos. Há mais de dois mil anos, Hipócrates, considerado o pai da medicina, já associava os quatro elementos aos quatro humores: colérico, melancólico, sanguíneo e fleumático. E esses humores, quando em desequilíbrio, tinham correlações com as doenças.


Uma maneira de entender os elementos é pensar neles como os vários níveis de densidade da matéria desde o fóton, partícula, átomo, até a molécula. É a jornada da luz rumo a concretização na matéria, da completa liberdade no Fogo, passando por uma gradual densificação representada primeiro pelo Ar, depois pela Água, até atingir o completo aprisionamento na forma na Terra. Por isso, os dois primeiros elementos Fogo e Ar são ligados ao Céu, ativos, masculinos, expansivos, e os dois outros, Água e Terra, são receptivos, passivos, femininos, ligados a Terra.


É a descida do espírito no mundo da forma. O espírito representado pelo Fogo, é a motivação, o impulso. Que se torna um pensamento, uma ideia no elemento Ar. Esse pensamento é impresso na Água que recebe toda a informação para finalmente manifestar como matéria na Terra. Aqui cabe uma observação sobre a interação entre os elementos Ar e Água. Hoje existem registros de como os pensamentos, os sons, as vibrações locais influenciam na água. Um pesquisador japonês, Masaru Emoto, fez vários experimentos onde expôs a água a diferentes condições e fotografou a molécula congelada da água no microscópio. Assim ele conseguiu demonstrar o quanto as palavras, as intenções e diversas formas de música influenciam na configuração molecular da água. Isso está registrado no livro "As Mensagens da Água". Considerando que nosso corpo tem até dois terços de água, imagine o impacto dessa descoberta no seu corpo e na sua saúde...


Todos nós (assim como tudo que existe) podemos ser descritos como uma combinação desses elementos. Cada signo pertence a um desses elementos, e como temos vários planetas distribuídos pelos signos em nosso mapa, podemos fazer uma análise de como é a nossa constituição. Não existe constituição ideal, existe a nossa configuração, que deve ser bem entendida para poder ser bem aproveitada.


O Fogo é calor, vitalidade, energia. É o impulso, a intuição, a faísca. O Ar é elétrico, distante, desapegado, usa o intelecto, é racional. A Água é fluida, moldável, impressionável, vive no mundo das emoções. E a Terra é prática, pragmática, lida bem com as questões materiais e das sensações. Assim, cada elemento terá obviamente uma abordagem diferente da vida: o Ar interage com a matéria pelo pensamento; a Terra mexe na matéria, põe a mão na massa; o Fogo impacta a matéria (está aqui para ter a experiência) e a Água é impactada pela matéria (recebe impressões).


O comportamento de quem tem prevalência de um desses elementos vai ser de acordo com ele. O Fogo por exemplo não reclama, quer aproveitar a vida, tem entusiasmo. A Água reclama, pois é sensitiva, impressionável, não gosta de certo tipo de música ou filme, não fica bem no meio da multidão. O Ar é mais falador, sociável, intelectual e também mais frio emocionalmente, não se envolve. Já a Terra vai estar sempre ocupada com alguma coisa, é a realizadora.


No físico também observamos essas relações, e cada elemento indica um tipo de metabolismo, desde o mais rápido indicado pelo Fogo, até o mais lento relacionado com a Terra. Cada configuração também vai ter propensão para um desequilíbrio diferente. Por exemplo, um excesso de Fogo pode indicar possibilidade de ter doenças mais agudas, febres mais altas, acidentes. Um excesso de Água predispõe a edemas, inchaços, fadiga, mais muco. Muito Ar predispõe a problemas nervosos e do sistema respiratório, e muita Terra predispõe a problemas mais crônicos entre outras coisas. A deficiência de um elemento também indica tendências. Por exemplo, quem tem pouco Fogo pode sentir falta de vitalidade.


É muito comum não ter um dos elementos e isso não é problema nenhum. Até porque existem outras coisas no mapa que compensam muitas vezes essas deficiências. Um Marte focal, por exemplo, pode compensar uma falta de Fogo, e uma Lua forte a falta de Água. Como sempre menciono, o Mapa é individual, e não existe nada ruim nele. Existe como a pessoa usa os atributos que tem. Entender a nossa constituição ajuda em escolhas mais adequadas para nós, em todos os campos, desde a alimentação, tipo de exercício físico, terapias mais afins, até a escolha profissional.


Assim, não faz sentido querer compensar alguma coisa que você não tem. O que importa é utilizar bem aquilo que se tem... Se você tem muitos planetas em Ar deve explorar isso da melhor forma... E considerar isso em todas as suas escolhas... Só deve ser feita alguma intervenção, se houver algum sofrimento envolvido. Normalmente é mais fácil desequilibrarmos naquilo que temos em excesso ou em deficiência. Nesse caso, por exemplo, se o excesso de Ar estiver causando problemas nervosos, ansiedade, insônia, aí pode-se utilizar alguma ferramenta terapêutica para aliviar essa desarmonia. Mas sempre lembrando que a configuração energética não irá mudar, deve-se achar um equilíbrio dentro daquilo que se possui.


Existem várias possibilidades de auxílio para equilibrar essas qualidades quando se fizer necessário, uma vez que os elementos estão presentes em tudo. Para cada desarmonia existe uma técnica mais indicada, alguns tipos de tratamento que terão mais afinidade. Mas é preciso ficar claro que não existe proporção ideal entre os elementos, cada um tem a sua, e esse é o ideal. O equilíbrio que buscamos é sempre dentro da nossa constituição específica...


E também é importante ressaltar que os elementos são apenas uma parte da análise, e não podem ser avaliados sozinhos. O posicionamento e os aspectos entre os planetas podem alterar significativamente a interpretação. O Mapa só pode ser analisado na sua íntegra, avaliações compartimentadas podem ser bastante distorcidas.

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