• Cecilia Leite

O elevador

E o elevador continua parado no 26° andar... As portas sendo mantidas abertas pela mochila de uma criança que ainda está calçando os sapatos... A mãe, na porta do apartamento, grita para ela correr porque ainda precisa pentear o cabelo antes de descer.


Enquanto isso, no 16° andar outra mãe aguarda pacientemente com seus filhos o elevador chegar... Mas quando ele finalmente volta ao movimento, o senhor do 20° andar já o chamou... Nova parada... Alguns instantes mais, e pronto, o elevador chega ao 16°.


Mas, com tanto tempo de espera, já tem mais gente esperando em outros andares... E o elevador para novamente no 10°. E, lá, mais uma mãe tenta entrar no elevador com suas duas crianças. Mas não consegue... Pois ele já vem cheio. Será necessário esperar que ele deixe as pessoas em seus destinos, para então voltar vazio.


Nesse caminho de descida, o elevador ainda para no 6° e no 2° andar, porque a essas alturas já tem muita gente esperando. E o pior é que, apesar de todo o tempo de parada, não há produtividade, pois o elevador já desce cheio e não é possível levar mais ninguém. Aquela mãe do 10° andar, que tinha saído até um pouco antes do horário, está agora apreensiva. Pois continuam as paradas, para deixar alguns no térreo, outros no subsolo, e está ficando apertado o tempo.


Finalmente o elevador começa a subir novamente. Com sorte, ninguém mais vai o segurar no seu andar, e o trajeto conseguirá ser cumprido em um tempo razoável. Se não, a mãe que estava adiantada para levar seus filhos para o colégio, vai se atrasar... E aí, certamente terá que correr um pouco mais no trânsito para as crianças chegarem no horário...


Essa historinha, tenho certeza, se repete todas as manhãs em diversos condomínios. E coisas similares acontecem inúmeras vezes durante o dia, em diversas situações diferentes. É a pessoa que larga o carrinho no caixa do supermercado e vai pegar mais umas coisinhas enquanto todos esperam, é o outro que na padaria com uma fila enorme fica experimentando tudo e não decide o que quer levar, a mãe que estaciona em fila dupla na porta da escola e fica esperando os filhos enquanto atrapalha todo o fluxo de veículos... A atitude de um, tendo consequência na vida de muitos... Um efeito cascata, cheio de desdobramentos... Pois a história não termina naquele momento, tem consequências... Tem o stress causado, a alteração de humor, os impactos nas atitudes de quem esteve envolvido no episódio, a sequencia de eventos que se encadeiam a partir daquele momento, envolvendo inúmeras outras pessoas.


E o que tem isso tudo a ver com a Astrologia?


Esses exemplos foram para ilustrar o que são planetas pessoais (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus e Marte) e o que são planetas sociais (Júpiter e Saturno). Os planetas pessoais visam o preenchimento das necessidades pessoais de alguém, como o próprio nome já indica. E os planetas sociais mostram como a pessoa se comporta em sociedade. No caso da historinha acima, quem segura o elevador está usando (mal) seus planetas pessoais e subutilizando os planetas sociais. Em nome de um benefício exclusivamente seu, coloca muitos outros em uma situação de desvantagem. Para ter uma comodidade para si próprio, nem pensa que pode estar interferindo na vida de muitos. O EU acima do NÓS.


E com isso não estou dizendo que não se deve colocar as próprias necessidades em primeiro lugar. Devemos sim nos conhecer profundamente para saber quais as nossas demandas internas que devem ser preenchidas, e fazer de tudo para preenchê-las. Mas não se deve perder de vista o impacto que nossas atitudes e comportamentos estão tendo no entorno. Sim, porque é totalmente possível e desejável, que se utilize o máximo potencial dos planetas pessoais, sem, no entanto, que isso cause prejuízo aos demais. Os planetas pessoais estão no nosso mapa para garantir que consigamos tudo aquilo que são nossas necessidades básicas. Mas os sociais nos inserem em um contexto maior. Somos uma rede, e as ações de um, vão ter um impacto em todos os outros, e no planeta que é a casa de todos nós.


Ter consciência social é perceber que existem interesses maiores do que o conforto pessoal individual. Enxergar além de si próprio. Saber viver em sociedade está nas atribuições de Júpiter e Saturno. Eles regem o nosso papel na sociedade, nossas responsabilidades, as regras de convivência, as leis, a política, a ordem e o progresso. Quem tem um desses planetas fortes no Mapa Natal (ou os dois) deve saber que tem compromissos com a coletividade. Sua vida deve estar voltada para os interesses do grupo, para a comunidade.


Mas todos nós temos planetas pessoais e sociais no nosso mapa. O que quer dizer que todos precisamos aprender a conviver em grupo. Todos temos metas individuais, e cada um tem seu papel em uma meta coletiva. E existem ainda os planetas transpessoais (tem artigo sobre eles aqui A Força Transpessoal) que se referem a nosso papel cósmico, ou seja, uma meta evolutiva relacionada com o desenvolvimento da humanidade.


Muitas vezes estamos identificados com o nosso papel individual e acabamos por não cumprir um papel social adequado. Por exemplo, quando um jovem na faculdade faz um trabalho por um colega, para ser legal com ele, pode até estar sendo gentil, achar que cumpriu seu papel de amigo, mas não está contribuindo para o desenvolvimento da sociedade, já que seu colega não estará capacitado para exercer posteriormente a profissão. Muitas vezes ao ser condescendentes com as fraquezas alheias, ao invés de ajudar, estamos contribuindo para que o outro não se desenvolva. E, consequentemente, a sociedade é penalizada.


Isso acontece também no nível transpessoal. Muitas das injustiças que cremos existir, são, na realidade, a maneira do Universo de educar cada um. Assim como existe uma ordem social, existe uma ordem ainda maior, cósmica. E, se estamos conectados com essa esfera, os valores pessoais e sociais podem ficar em segundo plano. Por isso, é muito importante ter consciência desses três níveis, ou seja, entender nossa meta pessoal, nosso papel na sociedade, e também como devemos participar da evolução na engrenagem cósmica.


Mas isso exige um refinamento nas percepções, uma expansão da consciência. A cada mudança de nível, é necessário ampliar a visão. E, percebemos o nível em que cada um está operando pelas suas ações. Não adianta ter um discurso recheado de palavras de impacto, mas ter um comportamento nocivo aos demais. Tem gente que acha que conviver bem em sociedade é falar bom dia para os vizinhos... E tem quem pense que para ser útil à comunidade é necessário um grande feito. Mas não é... Nos pequenos gestos podemos fazer um grande bem! Ou um grande mal, sem muitas vezes sequer perceber...


Portanto, atenção com os planetinhas no seu mapa... Veja como pode utilizá-los em seu melhor potencial. Cresça, e leve com você a sociedade em que você vive! Seja grande, para também engrandecer o todo! Se para o sucesso de alguém, é necessário um estrago na comunidade, alguma coisa tem de errado... E esse sucesso não será sustentável! Estamos inseridos em um contexto maior, e não devemos perder isso de vista...

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