• Cecilia Leite

Astrologia e o Feminino



Astrologia é para todos. Ou melhor, Astrologia é para tudo... Pois como disse Jung: “Qualquer coisa que nascer ou for feita num momento particular de tempo, tem a qualidade deste momento de tempo”. E a Astrologia lida basicamente com o estudo da qualidade dos momentos... Mas podemos utilizá-la com finalidades mais específicas. Ou seja, é possível aprofundar em um determinado aspecto da questão.


Adentrar no universo feminino através da Astrologia é fascinante. Entender como os diferentes arquétipos funcionam dentro de uma mulher é trazer à tona a Deusa que ela é. E essa ferramenta pode ser libertadora. As mulheres são multifacetadas, carregam em si uma infinidade de nuances, e assumem muitos papéis. Alguns totalmente compatíveis com a sua natureza, e outros nem tanto. Na nossa atual sociedade, é muito fácil nos perdermos da nossa essência, em meio a um excesso de cobranças, de julgamentos, de críticas. Quando percebemos estamos como malabaristas tentando equilibrar uma quantidade sem fim de pratos... E com isso, alguns pratos realmente importantes para nós, caem e se quebram, enquanto outros, sem nenhuma relevância, continuam em nossas mãos.


Para a mulher é fundamental se conhecer. Isso significa lidar honestamente com questões complexas como a maternidade, a sexualidade, o posicionamento social, o casamento, só para citar algumas... Hoje em dia, existe uma tentativa de libertar a mulher de certos padrões. Mas muitas vezes isso não passa de outra arapuca, pois está colocando a mulher novamente em outro papel, com novas obrigações. Ou seja, muda-se o tema, mas a tentativa de rotular continua a mesma. E isso vem, em muitas das vezes, das próprias mulheres. Na tentativa de se defender, criam um problema para elas mesmas. Muitas que lutam contra o patriarcado, não percebem que estão assumindo esse mesmo papel, de exigir da mulher um comportamento que, em alguns casos, pode não ser próprio dela. É uma questão bastante delicada, pois obviamente não é essa a intenção, mas se as dores e as sombras não são trabalhadas, apenas fica-se na superficialidade.


É preciso entender que somos todos (e todas nesse caso) diferentes! Assim existem mulheres que têm talentos para a política e outras para serem cuidadoras. Existem executivas de ponta, e donas de casa maravilhosas. Não há demérito algum em uma mulher querer ficar em casa cuidando dos filhos. Isso não é um retrocesso, se isso é o desejo da alma dela. Assim como a mulher que quer participar mais ativamente das decisões da sua comunidade também deve ter o seu direito garantido.


Vejo muitas mulheres com conflitos desnecessários. Muitas se julgam inferiores por não serem profissionais reconhecidas, sem perceber que fazem uma enorme diferença na vida daqueles que as rodeiam. Outras não tem a menor vontade de serem mães mas ficam culpadas porque pensam em qual o papel que irão ocupar na sociedade. Mulheres sofrem por querer ter filhos e não conseguirem, por não querer ter filhos e se sentirem cobradas, por ter que exercer maravilhosamente uma profissão, por não ter uma profissão, muitas vezes sofrem casadas, sentem-se culpadas se são separadas, querem cuidar dos filhos, sentem-se cansadas de ter que cuidar dos filhos... É um sem fim de conflitos...


Conhecer a sua real natureza, reconhecê-la e aceitá-la é libertador para a mulher. Só ela pode se libertar. Não adianta exigir isso de mais ninguém lá fora. A briga com o externo é apenas um reflexo da confusão e não aceitação do interno. Queremos que o outro nos aceite, antes de nos aceitarmos. Esperamos desesperadamente que alguém de fora nos legitime porque não somos capazes de fazer isso por nós... E por isso a frustração continua...


Na astrologia temos várias Deusas... Cada uma com sua natureza particular, seu conjunto de atributos... Pelo nosso Mapa Natal podemos entender quais as Deusas que nos habitam. Sim, na maioria das vezes somos uma combinação delas... Somos únicas! Mas conhecer o tipo de energia que nos permeia, nos permite conduzir a nossa vida mais em harmonia com a nossa natureza. Se você é uma Vênus, não deve se comportar como uma Ceres... Ou a sua Vênus se retirará por falta de oportunidade de se manifestar... E daí você reclamará que não tem relacionamentos... Sim, porque Ceres é a mãe... Mas você nasceu para ser Vênus, está lá no seu mapa! Você quer relacionamentos e não filhos! Então honre sua Vênus que ela lhe trará o seu relacionamento!!!


É assim... Se quisermos assumir um papel que não é nosso, seja lá por qual razão, normalmente para satisfazer alguém ou algo que não tem relevância na nossa vida (porque se verdadeiramente tivesse, aceitaria nossa natureza), vamos nos perder de nós mesmas... E com isso perder a nossa força... E andar por aí à deriva, esperando a aprovação de alguém.


O Universo feminino é vasto, cheio de possibilidades e encantamentos... Cada Deusa, com seu mito e seu enredo, reflete um lado da mulher. Temos a bela e sedutora Vênus, a sábia Pallas Athena, a fértil Ceres, a caçadora Ártemis, a esposa Juno, a guardiã do lar Vesta, a deusa do subterrâneo Perséfone, entre tantas outras... Suas histórias são as nossas histórias. Repetimos enredos, esse é o poder do mito. Conhecer essas histórias é começar a ter domínio sobre as nossas decisões.


Na Astrologia, percebemos esses arquétipos principalmente através do posicionamento de Lua e Vênus. Existem Asteróides para todas as Deusas sim... Mas para estarem atuantes precisam ter um papel de destaque no Mapa e ter o apoio de outros aspectos. Por exemplo, para se ter uma Vesta forte, normalmente precisa-se ter uma Casa 4 ou uma Lua igualmente em destaque. Ceres tem ligação com a Lua, mas também com o signo de Virgem. Juno, a esposa, precisa ter respaldo na casa 7. Ártemis, a caçadora, é bastante sagitariana, e um tanto ariana, mas é preciso ver a posição da Lua... Enfim, é possível perceber quais os mitos que a pessoa está vivendo através do seu Mapa Natal.


Muito sofrimento pode ser evitado se a pessoa entender que ela pode não ser o tipo de mãe que coloca o filho no colo e enche de beijinhos, mas que ainda assim ela pode ser uma excelente mãe, exatamente a mãe que seu filho precisa... Porque o Universo é perfeito, e dá para cada um, exatamente a mãe que ele precisa... Então, se ela quiser ser diferente do que realmente é, aí sim teremos um problema!


Muitas mulheres hoje se obrigam a ter um desempenho profissional além de suas possibilidades, ou melhor, além de sua real vontade... Está se matando de trabalhar para mostrar para o mundo que, sim, ela tem valor... Mas o valor dela está em ela ser ela mesma... E pode ser que exista algum dom escondido sem possibilidade de vir à tona pois a moça está muito ocupada para isso...


Não há regras, nem modelos prontos a serem seguidos. Existe o que você é. E ponto. Sem conflitos, sem justificativas, sem peso. É preciso fazer as pazes com as deusas dentro de nós, deixar que elas nos conduzam, confiar no mistério da vida... Se nascemos com uma determinada força, é para ser utilizada. Se possuímos uma certa característica é porque ela é necessária e deve ser manifestada...


A essência do feminino é silenciar... E é no silêncio que se mostram os mistérios... No meio da confusão não se faz a alquimia... Para descobrir a Deusa que você é, há de se recolher... Olhar para dentro, encontrar o profundo, descobrir a força que brota do centro... E deixar que ela se expanda, e se coloque gentilmente no mundo... Que Deusa é você?

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