• Cecilia Leite

A vida em ciclos

Atualizado: 25 de out. de 2018

Tudo na natureza acontece em ciclos. Ao dia se opõe a noite, que se abre em um novo dia... A Lua nasce todo mês na fase nova, se torna crescente, atinge o ápice quando está cheia e depois começa a minguar até sumir no céu para um novo recomeço... As estações do ano se sucedem, cada uma com suas características e peculiaridades. As plantas e os animais tem suas vidas profundamente ligadas a esses ciclos, ou seja, possuem movimentos internos sincronizados com esse movimento cósmico. Quem lida com as plantas sabe que elas têm um período onde o enraizamento está mais forte, em outras épocas ela apresenta o auge de sua produção (de frutos, mas também de óleos essenciais), às vezes estão com mais seiva, em outras puxando mais água da terra... Isso mensalmente. Se formos analisar ciclos maiores, sabemos que elas têm o período de perder todas as folhas para depois rebrotar com força, florir e frutificar. São ciclos dentro de ciclos. Tudo a seu tempo. Os animais também possuem essa conexão, alguns deles até hibernam no inverno para poupar energias.


O homem perdeu essa ligação. Não consegue mais perceber a diferença entre as fases. Procura viver uma vida linear, desconsiderando períodos onde existe uma necessidade interna maior de recolhimento, ou uma energia extra para a atividade. É como se todos os dias fossem iguais, e em todos eles precisa-se ter a mesma disposição, a mesma produtividade, tem-se as mesmas preferências. E vamos, cada vez mais, embotando a nossa consciência, desconsiderando as necessidades do nosso corpo de repouso, de um alimento mais leve em um dia, mais nutritivo no outro, vamos nos entorpecendo em um mundo digital e ficamos cada vez mais longe das sensações. E mais, esperamos que a vida seja um eterno dia de Sol, em um contínuo verão. Achamos que um dia nublado, ainda que interiormente, é um problema a ser resolvido. Achamos que as tempestades emocionais só causam transtornos e precisam ser evitadas a qualquer custo. Julgamos ser possível viver sempre no ápice de nossa energia e abominamos momentos de melancolia ou introspecção. Não seguimos o exemplo das árvores, que são capazes de se desfazer de todas as folhas já antigas para ter forças para renascer.

E não respeitando esse movimento em nós, também não somos capazes de respeitar no outro. Exigimos que ele esteja sempre bem, disposto, e alegre. Isso, obviamente, tem consequências. Para o nosso corpo e para a nossa alma. Hoje, se a pessoa acorda triste, acha que tem um problema que precisa ser resolvido imediatamente, talvez um remédio resolva. Vivemos em uma sociedade onde não pode haver frustração, ninguém quer lidar com as dores internas. Mas a natureza está nos mostrando a todo momento, que existe a hora de expandir e a hora de recolher. E é assim para a vida poder evoluir. Precisamos ter um tempo de direcionamento interno para poder reavaliar as rotas, seguir o melhor caminho. Os dias de sol são necessários, assim como os de chuva, o verão e o inverno tem cada qual a sua solicitação. E, se andarmos em sintonia com essa energia, vamos viver melhor.


Falei de movimentos que envolvem diretamente o Sol e a Lua, porém tudo no Cosmos tem seu passo e seu ritmo. Assim, o ciclo de Júpiter (uma volta inteira ao redor do Sol) dura 12 anos, e o de Saturno aproximadamente 29 (o que gera o famoso Retorno de Saturno nessa idade, ou seja, o ponto que ele atinge a mesma posição que ocupava no nascimento). Conhecer astrologia é entender sobre os ciclos, e como eles estão nos afetando em cada momento. Existem ciclos longos (como o dos planetas mais lentos) e ciclos mais rápidos (como o dos planetas pessoais). Eles se sobrepõem e interagem compondo a nossa sinfonia interna. Quando entendemos o nosso movimento interno naquele momento, podemos parar de brigar com o que se apresenta (ou não, a escolha é nossa).


Vou dar um exemplo: Tenho Urano em quadratura com Mercúrio (e com o Sol) em meu mapa natal. Se por um lado isso me faz pensar adiante, por outro, pode me causar a propensão a ansiedade, a insônia. É o preço que se paga... A mente ativa pode trazer benefícios, mas também nos obriga a saber lidar com ela, ou então ela nos arrasta, podendo gerar vários distúrbios. Quadratura é isso, crescimento através do desafio! Ou crises! Depende de como é vivida e conduzida. Mas o fato é que esse é um traço da minha personalidade, está lá no mapa. E, em alguns momentos, essa quadratura será ativada por trânsitos de outros planetas, o que chamamos de gatilhos, que vão disparar esses acontecimentos que estão lá prometidos no mapa. Então, sempre terei a tendência de ser ansiosa (ou visionária, ou as duas coisas), mas em alguns momentos isso se tornará mais evidente, mais exposto, mais ativo. Sabendo disso, quando vier a ansiedade, e eu entender que é um ciclo que estou passando (por exemplo, nessa noite insone com o Sol transitando sobre o meu Urano natal e ativando a quadratura), posso não brigar com ela, aceitar e tirar o melhor proveito. Entender que nem todas as noites serão iguais, e que não há problema em estar mais desperta nesse momento. Que é um ciclo onde estarei mais ativa mentalmente, e a ideia (cósmica) é que isso seja usado para a minha evolução, e não para me deixar com raiva ou frustrada porque eu gostaria que fosse diferente. Olhar para o momento, e sentir o que ele pede... Quando a gente entende o momento, e não briga com o que se apresenta, podemos entrar em um fluxo de maior equilíbrio, e também de maior produtividade.


A astrologia trata de ciclos. Os ritmos cósmicos representam os nossos ritmos internos. Entender e se alinhar com a nossa melodia pode tornar a nossa vida muito mais harmoniosa. Aprender a dançar conforme a música!

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