• Cecilia Leite

A Lua e a mãe

Amanhã é o dia das mães e nada mais justo do que fazer esse texto em homenagem a elas. Mas quero ir um pouco além na reflexão sobre esse tema.



A mãe na Astrologia é simbolizada pela Lua. E é sobre essa relação que quero falar... Cada planeta em nosso mapa trata de uma função psíquica, e tem vários assuntos relacionados a ele, sempre envolvendo essa função que ele precisa desempenhar. No caso da Lua, trata-se de buscar a segurança emocional, a proteção e a nutrição.


E quem primeiro representa esse papel na nossa vida? A mãe.

A ela cabem todos os cuidados iniciais para manter a sua cria viva. Sim, inicialmente existe a questão da sobrevivência, que só pode ser garantida se tivermos a proteção e a nutrição adequadas. Podemos dizer que desde antes de nascermos, nossa vida está nas mãos (ou melhor, no ventre) de nossas mães. É ela que gesta, que alimenta, que protege do mundo externo enquanto o pequeno e vulnerável corpinho está ainda em formação.


Ou seja, não é exagero dizer que devemos a nossa vida a ela. Porque sem a vontade dela não nascemos. E não se trata apenas de uma vontade passiva. Pois ela cede o seu corpo, que fica inundado de hormônios, com o metabolismo alterado, com todas as suas funções orgânicas modificadas, para que tenhamos a chance de viver. Ela nutre o bebê a partir de seu próprio corpo, o alimento dela não é mais só dela. O corpo dela passa a ser compartilhado com sua cria.


Para o bebê, sua vida é inseparável da vida da mãe. Ele não consegue distinguir o que é um e o que é o outro. Ele sente o que a mãe sente, ele aprende a se defender como a mãe se defende. A ligação é orgânica e visceral. E inconsciente. Por isso, quando a criança nasce, ela vai reagir ao mundo de acordo com a sua Lua natal, que são as impressões que ela tem da figura materna.


A Lua é o repositório das nossas experiências passadas. Que vão condicionar as nossas decisões atuais. Os registros emocionais ficam gravados no nosso inconsciente e vão determinando, sem que tenhamos clareza desse processo, as nossas atitudes. Assim, se tenho uma memória de rejeição e abandono, vou me defender agora para não ser rejeitado de novo, e para isso posso adotar várias estratégias (de acordo com meu mapa, sempre...). Se tenho um registro de que sou incapaz, vou buscar me apoiar em alguém, ainda que eu arrume uma pessoa que não seja digna de confiança. Enfim, a Lua indica o que buscamos para nos sentir seguros. São marcas nem sempre perceptíveis e óbvias, mas que são fundamentais nas escolhas que fazemos.


Mas, voltando às mães, não podemos esquecer que elas têm também a sua Lua natal, com suas memórias de dor, seus problemas inconscientes... Quando ela coloca um ser no mundo, e passa a ser responsável por ele, muitas das suas dores, que estavam ali quietinhas, começam a gritar alto. Ao nos tornarmos mães somos confrontadas com as mais escondidas sombras da nossa personalidade. E isso também é um processo lunar. Ou seja, trabalhar a sua Lua é inevitavelmente trazer sombras para Luz.


E, nesse sentido, a maternidade é uma oportunidade maravilhosa, embora não da maneira usualmente colocada por aí. Porque nem tudo são flores. Sim, existe o lado sublime do amor incondicional que experimentamos, mas existe também um lado sombrio, difícil e dolorido, e muitas vezes negado e jogado para baixo do tapete. Mas é justamente esse lado mais obscuro da maternidade que é a nossa maior chance de evolução.


Ser mãe exige uma abnegação netuniana muitas vezes dificílima de administrar. E, isso, necessariamente trará sentimentos ambíguos. Em muitos momentos ocorrerão raivas, frustrações, questionamentos... Também exige que aprendamos a encarar o outro como ele realmente é, e não como gostaríamos que fosse. O filho terá a sua personalidade própria, as suas dificuldades, os seus talentos, que não serão necessariamente aqueles que gostaríamos de mostrar ao mundo. Vamos ter o impulso de querer criar projeções em cima dos filhos, querer que eles correspondam ao que idealizamos... E vamos ter que lidar com esse conflito. Vamos ter que rever valores porque seremos questionadas e colocadas à prova a todo momento. Vamos querer protegê-los, muitas vezes muito mais por nossa própria causa, para não ter que lidar com nossos medos e nossas inseguranças. Vamos precisar assumir a responsabilidade de educar e orientar os filhos, mesmo não sabendo direito qual direção nós próprias devemos seguir. Vamos descontar nas crianças a nossa frustração, o cansaço acumulado, a nossa confusão interna, e depois vamos nos sentir culpadas.


Enfim, vamos nos defrontar com os mais diferentes sentimentos, e pode ser muito difícil reconhecê-los dentro de nós. Talvez por isso o ditado de que “ser mãe é padecer no paraíso”. A maternidade quando realmente vivida em toda a sua extensão pode ser a experiência máxima do amor e também da dor. O que acontece é que muitas pessoas hoje preferem se poupar da dor, se anestesiar, não viver essa experiência na plenitude. Existem várias maneiras hoje de terceirizar a relação com os filhos, de babás a escolas full time, de avós a equipamentos de tecnologia. E elas podem até ser eficientes sob alguns pontos de vista, necessárias de alguma forma, mas vão privar a mãe de um crescimento interior e de uma possibilidade de mudar o padrão da sua vida (isso sem contar os prejuízos para os filhos, já que esse texto é para as mães).


Importante ressaltar que TODOS têm Lua no seu mapa natal. Portanto, todos passarão por esse processo de confronto com as sombras, reconhecimento de dores antigas, de percepção de toda a vastidão do seu campo emocional. A maternidade é uma das formas de se vivenciar isso com muita intensidade. Mas existem muitas outras. E cada um escolhe a sua... Não existe forma melhor, ou forma correta, existe o caminho de cada um...


Mas é extremamente importante ter consciência ao se tornar mãe. Entender o que isso representa, o que vai trazer de mudanças na vida da mulher, e a responsabilidade que vem atrelada a isso. O que acontece é que se não lidamos com as nossas questões, passamos para nossos filhos (como já vimos a ligação é automática e inconsciente) e perpetuamos um problema. A mulher com seu emocional curado terá filhos muito mais equilibrados.


A nossa Lua natal representa a forma como enxergamos e SENTIMOS a nossa mãe. Presente ou ausente, carinhosa, independente, forte, fria... Não é o que ela é... (isso está lá no mapa natal dela). E por isso, é importantíssimo que sempre tenhamos a consciência de que a LUA é NOSSA, e portanto somos nós que temos que lidar com as questões que trazemos. Não adianta culpar a mãe o resto da vida pelo carinho que ela não deu. É o SEU mapa. Era seu caminho lidar com essa dor e curá-la. Ela apenas cumpriu esse papel na sua vida. E, por ela ter permitido você de viver o SEU mapa, ou o seu caminho de vida, já merece toda a sua gratidão.


As emoções que carregamos se refletem em todos os setores da nossa vida. Sabemos que Vênus, responsável pelos relacionamentos afetivos, é a oitava superior da Lua. Ou seja, para realizar a sua Vênus é preciso primeiramente resolver a sua Lua. O que quer dizer que para ser feliz nos relacionamentos precisamos antes estar com nosso emocional equilibrado. Como vimos, a mãe é nossa primeira referência de afeto (ou da falta dele). É o espelho que nos faz enxergar o amor (ou o desamor) que carregamos dentro de nós. Por isso, fazer as pazes com nossa mãe é fazer as pazes conosco. Sempre é tempo... Feliz dia das mães!

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