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  • Foto do escritorCecilia Leite

A Galinha dos Ovos de Ouro




Essa é uma historinha bastante conhecida sobre uma senhora viúva que compra na feira uma galinha, e ao chegar em casa percebe que ela bota ovos de ouro. Como ela tem crianças e a família passa por necessidades, eles comemoram muito as novas possibilidades que aparecem junto com os ovos.


No primeiro dia, com o dinheiro da venda do ovo, eles compram tudo aquilo que é realmente necessário para o bem-estar familiar. No entanto, ao notar que todo dia a galinha bota um ovo de ouro, torna-se possível adquirir também muitos supérfluos, que satisfazem a vaidade de cada um deles.


Depois de um tempo, a mãe começa a desconfiar que provavelmente dentro da barriga da galinha existe uma mina de ouro, e resolve então matá-la para ter acesso logo a toda a riqueza. Mas ao fazer isso descobre que nada havia no ventre do animal. Nesse momento, vem o arrependimento, e como utilizaram toda a fortuna para ostentar uma vida de luxo, com a falta dos ovos, voltam para a penúria.


A referência mais imediata que se pode fazer sobre esse conto, é com relação à ganância e à falta de limites. Astrologicamente, poderíamos mencionar a relação entre Júpiter e Saturno. Esses dois planetas sociais trabalham como um par, que são antagonistas em sua manifestação, e devem funcionar se autorregulando. Nessa história, uma família que passava por privações (Saturno), conseguiu uma galinha que colocava ovos de ouro, e passou a levar a vida com exageros (Júpiter). Não sabendo administrar seus recursos, e conter a ganância, voltou à escassez.


Viveram arquétipos de Saturno e de Júpiter em seus extremos, na manifestação distorcida desses planetas, que se alternaram como em um pêndulo em sua atuação, ao invés de trabalharem em conjunto para garantir um crescimento sustentável. Quando existe equilíbrio, um planeta estimula o outro em sua melhor expressão.


Mas existe uma outra nuance a ser explorada... O ouro é o metal relacionado ao Sol, que astrologicamente representa a nossa essência. E a reflexão que se pode fazer é: quantas vezes matamos a nossa galinha dos ovos de ouro por querer ter aquilo que nem é tão importante para nós assim?


Às vezes o que nos é essencial fica em segundo, terceiro plano, até desaparecer por completo em meio a uma chuva de demandas, que no final das contas, ao fazermos um balanço da nossa vida, não representavam nada.


Quantas vezes, por exemplo, um talento não fica escondido pois não ousamos colocar no mundo a nossa arte? Seja porque não acreditamos nela, seja porque julgamos que ela não irá garantir nosso sustento, ou ainda porque nos deixamos levar por opiniões alheias, sempre contrárias e desanimadoras, acabamos por abrir mão no nosso potencial e da nossa realização, priorizando uma vida com mais garantias.


Quantas vezes escolhemos uma profissão que em nada ressoa conosco pensando exclusivamente no status que ela poderá dar ou nos benefícios advindos dela? Sacrificamos nossa saúde, nossa juventude, a convivência familiar, muitas vezes perdemos momentos preciosos que nunca voltarão em nome de uma suposta riqueza e boa vida. O nosso Sol deixa de brilhar.


Saber discernir o que realmente tem valor para nós é fundamental para não correr o risco de percebermos na velhice que jogamos nossa vida fora e não fizemos nada daquilo que nossa alma pedia. Podemos ter toda a fortuna e ainda assim não ver sentido na vida, sentir um vazio imenso e a sensação de termos vivido em vão. Uma vida simples e cheia de significado pode valer muito mais (e certamente vale) que uma cheia de ostentação mas sem nenhuma conexão interna.


Matar a galinha dos ovos de ouro pode significar matar aquilo que nos mantém vivos, nossa fonte de criatividade, de prazer e de alegria. Precisamos ter clareza do que estamos fazendo, e do porquê estamos fazendo, de qual a ambição que está nos levando a sacrificar o nosso brilho no olhar. Manter a nossa chama acesa não tem preço.


A nossa galinha dos ovos de ouro só põe os ovos se estiver viva e muito bem nutrida. Podemos não a matar deliberadamente, por alguma outra ambição, mas a deixarmos definhar, sem atenção e sem alimento adequado. O propósito não se faz sozinho, é preciso esforço e investimento, e quando negligenciamos isso estamos automaticamente nos desviando dele.


No conto, depois de matar a galinha, veio o arrependimento, e a volta da penúria. Da mesma forma, quando fazemos escolhas erradas (não alinhadas com o que pede a nossa alma), mais cedo ou mais tarde vem o sentimento de falta e de frustração. Precisamos estar atentos para que ao final da vida não estejamos nos sentindo miseráveis, ainda que com uma grande quantia acumulada.


E uma ressalva importante: você pode deixar sua alma brilhar, e ainda assim ter muita riqueza material. Não são coisas incompatíveis, muito pelo contrário. É mais provável que se prospere quando há conexão com o que há de mais autêntico internamente. A escassez sobrevém justamente quando se mata a fonte da criatividade (a galinha dos ovos de ouro).

 

 

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