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  • Foto do escritorCecilia Leite

A Cegonha e a Raposa




Na fábula da cegonha e da raposa podemos ter uma ilustração muito clara sobre como Mercúrios diferentes funcionam de maneiras diferentes. É muito comum relacionarmos esse planeta apenas a forma como nos comunicamos, mas vai muito além disso, pois ele diz respeito também ao tipo de raciocínio, de processamento das informações, de como se percebe o mundo através dos sentidos, das habilidades manuais que se tem.


Nessa história, a raposa (que aliás é bastante conhecida por ter um comportamento cheio de astúcia, às vezes até ser trapaceira, o que é um comportamento tipicamente mercuriano) convida a cegonha para jantar, e lhe serve um prato de sopa que ela não consegue tomar por conta de seu bico comprido. Sua ferramenta para a ingestão dos alimentos não lhe permite. A cegonha, portanto, fica com fome, não consegue absorver aquilo que lhe é oferecido.


Passado algum tempo, a cegonha devolve o gracejo e convida a raposa para um jantar em sua casa. Serve-lhe então a comida em uma garrafa, que para seu comprido bico é um recipiente ideal, mas é inviável para a raposa. Dessa vez é ela quem não consegue comer.


Todos temos um sistema sensorial através do qual decodificamos o mundo exterior. E possuímos uma maneira específica de responder a esses estímulos. Cada um percebe o mundo de uma forma, e interage com ele de maneira muito particular. Uns são mais auditivos, outros mais visuais, alguns sensoriais. Tem quem seja mais objetivo, quem entenda por metáforas, pessoas prolixas, ou de poucas palavras. Tem os que possuem habilidades manuais, os que não tem tanta destreza, os de movimentos (físicos e mentais) mais rápidos e os mais lentos em sua manifestação.


Isso tudo é o mercúrio na carta natal que indica como vai acontecer, de acordo com seu signo, casa, aspectos e posicionamento da regência. É completamente infrutífero tentar aprender de uma maneira diferente daquilo que nosso mercúrio pede. Isso inclusive deveria ser considerado no ensino das crianças. Algumas precisam enxergar utilidade naquilo que está sendo exposto, outras precisam de um ensinamento rápido e objetivo, outras ainda necessitam de mais tempo para digerir todas as informações. Algumas delas seriam enormemente beneficiadas se o aprendizado acontecesse de maneira mais lúdica, com histórias, poesias e músicas, de maneira indireta.


Da mesma forma, o modo de agir no mundo também varia, e não se pode exigir que todos tenham a mesma habilidade. Mas é fundamental que todos tenham espaço e oportunidades para expressar e desenvolver os atributos que possuem.


Um sistema (ou uma família, uma empresa, um grupo) que prioriza uma única forma (de ser, de agir, de aprender, de comunicar) em detrimento das outras, certamente deixará a raposa ou a cegonha com fome. Essa conduta, a longo prazo, não se sustenta, os prejuízos individuais e para o grupo são enormes. É preciso haver minimamente a compreensão de que as pessoas são diferentes, e expressam-se de maneiras diferentes.


Para quem trabalha com qualquer forma de atendimento ao público é fundamental perceber e se ajustar ao mercúrio da pessoa em questão. Um astrólogo, para ter certeza de que sua mensagem será bem compreendida, deve considerar o mercúrio de seu cliente e adequar sua maneira de se comunicar a ele. Caso contrário, correrá o risco de servir uma sopa para a cegonha.

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