• Cecilia Leite

Sintonia com os ciclos cósmicos

Já fiz um outro texto sobre esse assunto, mas vou retomar esse tema pois tenho visto em muitos atendimentos como o não entendimento desse princípio pode ser prejudicial...


A vida aqui na Terra acontece em ciclos... Percebemos isso diariamente com o nascer e o pôr do Sol... Existe um ritmo constante, ao dia segue-se a noite, que dá lugar a um novo amanhecer e assim sucessivamente... Essa alternância é determinada pelo movimento de rotação da Terra, e o movimento de translação define um outro tipo de ciclo, o das estações do ano. Tem épocas de frio e de calor, de seca e de chuvas.


A esses períodos se sobrepõem outros ciclos, como as fases da Lua, que no intervalo de um mês vai de nova a crescente, chega a cheia, e volta a minguar até sumir novamente. Sem contar todos os outros planetas, que cada qual a seu ritmo, vão percorrendo o zodíaco e compondo uma sinfonia cósmica. Como escrevi no texto A vida em ciclos, os animais e as plantas estão fortemente ligados a esses movimentos, mas o homem "civilizado" foi perdendo cada vez mais essas conexões, até o ponto de esquecer que ele faz parte da natureza.


Mas, o funcionamento biológico do nosso corpo está intrinsecamente ligado aos ritmos da natureza. Existem várias evidências disso, como alguns hormônios que só são liberados à noite, o metabolismo que sofre variações durante todas as horas do dia, a retenção de água no corpo que varia de acordo com as fases da lua, e até as regiões do corpo regidas pelo signo onde a Lua está transitando que sofrem alterações no decorrer desse período. Todas as medicinas antigas levavam esses ciclos em consideração. Aliás, na faculdade de medicina da época medieval e renascentista, astrologia era matéria fundamental, com anos de estudo.


Não é por acaso que existem horários mais propícios para o descanso, épocas mais favoráveis para a introspecção, fases em que nossa atividade chega em seu ápice. Esses ritmos cósmicos estão dentro de nós. Existe o tempo de plantio, e existe o tempo de colheita. É assim. E isso não é um conceito teórico, ou uma imposição social. É o funcionamento natural e orgânico de todas as criaturas que convivem no planeta para manter uma ordem cósmica.


Quem mora no campo sabe que existe o dia certo para plantar, para podar, para colher. Isso para não dizer o horário correto, pois tem horas do dia inadequadas até para fazer uma rega. Quem vive no mar também sabe que precisa estar atento as marés e as correntes, e para isso se utiliza também do posicionamento dos astros.


A natureza é sábia e perfeita. Existem alimentos que só estão disponíveis em algumas épocas do ano, e é justamente durante esse período que eles são necessários ao nosso organismo. Sim, as necessidades do nosso corpo mudam durante o ano. As demandas de nutrientes variam, o tempo de descanso que precisamos também não é constante. A atividade metabólica e celular varia e acompanha os ciclos naturais.


Andar contra esses ciclos é uma agressão ao nosso corpo, e traz prejuízos físicos e também energéticos, emocionais e mentais, porque nosso sistema é um só, e uma coisa necessariamente influencia na outra. Mas, como a sociedade, de forma geral, perdeu essa conexão, e além de tudo, não tem essas informações, a vida moderna caminha no sentido de negligenciar cada vez mais nosso ritmo natural. E o que é mais grave: achar que as oscilações naturais do nosso movimento interno são um problema.


Hoje a expectativa é que viva-se um eterno dia de Sol de um verão sem fim... Copiando o que escrevi no outro texto, "o homem procura viver uma vida linear, desconsiderando períodos onde existe uma necessidade interna maior de recolhimento, ou uma energia extra para a atividade. É como se todos os dias fossem iguais, e em todos eles precisa-se ter a mesma disposição, a mesma produtividade, tem-se as mesmas preferências. E vamos, cada vez mais, embotando a nossa consciência, desconsiderando as necessidades do nosso corpo, de repouso, de um alimento mais leve em um dia, mais nutritivo no outro, vamos nos entorpecendo em um mundo digital e ficamos cada vez mais longe das sensações. E mais, esperamos que a vida seja um eterno dia de Sol, em um contínuo verão. Achamos que um dia nublado, ainda que interiormente, é um problema a ser resolvido. Achamos que as tempestades emocionais só causam transtornos e precisam ser evitadas a qualquer custo. Julgamos ser possível viver sempre no ápice de nossa energia e abominamos momentos de melancolia ou introspecção. Não seguimos o exemplo das árvores, que são capazes de se desfazer de todas as folhas já antigas para ter forças para renascer.


E não respeitando esse movimento em nós, também não somos capazes de respeitar no outro. Exigimos que ele esteja sempre bem, disposto, e alegre. Isso, obviamente, tem consequências. Para o nosso corpo e para a nossa alma. Hoje, se a pessoa acorda triste, acha que tem um problema que precisa ser resolvido imediatamente, talvez um remédio resolva. Vivemos em uma sociedade onde não pode haver frustração, ninguém quer lidar com as dores internas. Mas a natureza está nos mostrando a todo momento, que existe a hora de expandir e a hora de recolher. E é assim para a vida poder evoluir. Precisamos ter um tempo de direcionamento interno para poder reavaliar as rotas, seguir o melhor caminho. Os dias de sol são necessários, assim como os de chuva, o verão e o inverno tem cada qual a sua solicitação. E, se andarmos em sintonia com essa energia, vamos viver melhor."


Atualmente existe uma urgência instituída. Todos querem tudo para ontem. E na realidade, nessa pressa, vão fazendo as coisas sem necessariamente se questionarem por que e para que, e muito menos quais as consequências. Vai se vivendo no automático e qualquer coisa que atrapalhe isso é um obstáculo a ser eliminado. Vejo muita gente hoje querendo colher sem sequer semear, e ainda que se consiga alguma coisa não haverá consistência, pois TUDO exige uma maturação. Em todos os setores da vida vemos essa necessidade de pular etapas, e o resultado, infelizmente, é uma total decadência nos serviços prestados. Perdeu-se a excelência. A falta de paciência, disciplina, aprofundamento, respeito a cada fase vencida, faz com que os frutos colhidos antes do tempo não sejam capazes de nos nutrir.


Com relação ao nosso corpo é exatamente o mesmo problema. Ao primeiro sinal de mal estar corre-se para o hospital para logo se medicar e eliminar esse incômodo. Esquecemos que o corpo é o nosso maior guia, e cada sintoma está nos trazendo um recado. Além disso, muitos sintomas são tentativas do corpo de restabelecer o equilíbrio, de eliminar invasores patológicos, sejam eles vírus e bactérias, ou emoções mal resolvidas. Os remédios, na maior parte das vezes, agem no sentido pontual de eliminar os sintomas, e não de combater a causa do problema, que, quando não resolvida, precisará achar outra rota de saída, causando adiante um outro tipo de sintoma físico. Além disso, quase sempre os remédios confundem as defesas naturais do nosso corpo, prejudicando a sabedoria interna de se auto curar que ele possui. É claro que, em muitos casos, são extremamente necessários, mas atualmente nosso desespero faz com que às vezes não dê tempo nem de todos os sintomas se manifestarem e já queremos um diagnóstico, um nome que aplaque nossa ansiedade, e uma droga que o mais rapidamente elimine qualquer sinal de anormalidade.


Não queremos esperar, temos um angústia quase insuportável, quando algo nos assola e precisamos nos livrar logo dessa sensação. Ignoramos que são nossos sentimentos que estão a todo tempo nos dando pistas de qual o rumo certo a seguir. Eles nos mostram onde se escondem nossos medos, quais são nossas fragilidades, e também as nossas maiores forças e virtudes. Esquecemos que, ao nos entorpecer para não sentir, deixamos também de sentir o bom! Muitos hoje vivem como zumbis, tomando remédios para dormir, para acordar, imersos em um profundo vazio existencial. Pois a alma foi calada, não deixamos que ela fale porque temos medo do que podemos escutar...


Vamos perdendo a capacidade de conhecer e reconhecer os sinais do nosso corpo, que indicam a todo momento o que faz bem e o que faz mal pra nós, os alimentos que precisamos, a necessidade de repouso, e até o remédio que seria adequado. Ninguém deveria saber melhor do nosso corpo (e da nossa alma obviamente) do que nós mesmos! Mas preferimos terceirizar isso, e esperamos sempre que um médico, um psicólogo, um terapeuta, um astrólogo nos diga o que fazer, para onde ir, o que é bom, o que faz mal... Esses profissionais são extremamente necessários e devem ser muito valorizados por toda ajuda que podem dar, mas não podemos esquecer que a responsabilidade por nós mesmos é sempre NOSSA.


Quando se fala em autoconhecimento, a maioria imagina isso como um conceito intelectual, muitas vezes vindo de uma outra pessoa. Ou seja, alguém, ou alguma técnica, me diz quem eu sou, qual é a minha missão aqui, e aí eu me conheço... No meu entendimento, isso está muito distante do que deve acontecer. Autoconhecimento precisa ser vivenciado, experenciado, pois para nos conhecer precisamos nos entender a partir de nossas vísceras. E para isso, é necessário sentir... E quando sentimos podemos nos tornar vulneráveis, mas é somente a partir daí que vamos voltar a ter nosso termômetro interno. E, pouco a pouco, vamos perceber que a sintonia com os ciclos cósmicos, é o que melhor se alinha com nossa saúde física e mental.


Quando começamos a observar e a vivenciar a astrologia e perceber as sincronicidades entre o movimentos dos astros e os eventos na Terra, e mais do que isso, as sensações, sentimentos e pensamentos dentro de nós, começamos a ter clareza desses ciclos cósmicos e do tempo de cada coisa. Entendemos que se nadarmos a favor da corrente, a vida fica mais fácil, mais leve. Mas é necessária muita observação para conseguir ter essa percepção, pois as coisas acontecem de maneira muito individualizada. Cada um, dentro do seu aparato físico e energético, do seu ambiente familiar e cultural, das suas memórias e vivências, vai sentir e perceber de sua maneira particular. Por isso, a melhor astrologia é a da gente mesmo... Uma pessoa de fora por mais competente que seja pode nos dar as diretrizes iniciais, mas o refinamento vai sendo feito aos poucos, com paciência e persistência. Conhecer os ciclos diversos que estão acontecendo conosco e perceber como eles operam em nós, pode ser a chave para um modo muito mais elevado de viver!

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