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  • Foto do escritorCecilia Leite

Pinóquio




Esse é um conto cheio de eventos, peripécias e muito rico em simbolismo, o que poderia render muitas perspectivas de análise. No entanto, o objetivo dessa série de textos não é explorar todas as camadas e nuances da história, mas sim olhar para um ponto importante da narrativa e correlacionar com algum aspecto astrológico.


Sucintamente, Pinóquio é a história de um carpinteiro, Gepeto, que esculpiu um boneco na madeira e desejou ardentemente que ele fosse um menino de verdade para ser seu filho. Durante a noite uma fada deu movimento ao boneco, mas disse que ele só se tornaria definitivamente um menino caso se comportasse e não mentisse, o que não aconteceu inicialmente.


A cada vez que mentia, o nariz de Pinóquio crescia um pouco. Ele estava sempre acompanhado por um grilo falante que dizia o que era certo fazer, mas na maior parte das vezes não o escutava, acabando por meter-se em muitas confusões por conta disso. No final da história, em um ato de coragem, Pinóquio resgata Gepeto de dentro da barriga de uma baleia. Ela o havia engolido enquanto o carpinteiro procurava pelo boneco que, mais uma vez, havia aprontado e desaparecido. A fada então, como recompensa a esse feito heroico, transforma Pinóquio em um menino de verdade.


Essa história permitiria várias abordagens. Uma delas é o traço mercuriano, bastante evidente, indicado pelas habilidades manuais de Gepeto, pelos movimentos e falas do boneco, e até mesmo pelas mentiras que ele contava. Toda a narrativa é permeado por ilustrações de como um Mercúrio pode ser utilizado, adequadamente, ou de maneira distorcida. O mesmo Mercúrio natal que garante as habilidades de fala, capacidade de aprendizado, rapidez e esperteza, pode ser utilizado de maneira destrutiva, como o hábito de mentir ou ludibriar com as palavras.


Outra perspectiva seria a questão lunar evidenciada no fato de todos terem sido engolidos por uma baleia, momentos antes da transformação do boneco em um menino de verdade. Isso ilustra o encontro com as questões inconscientes, que precisam ser encaradas para haver a alquimia e o amadurecimento. A Lua está intimamente relacionada com as memórias, traumas e todo o conteúdo inconsciente, e também com o estômago, a digestão.


No entanto, o que gostaria de enfatizar nesse texto, é a figura do Grilo Falante, a voz da consciência que está sempre presente, mas que nem sempre era escutada por Pinóquio. Esse é um ponto importantíssimo, já que ela é decisiva. E não está contemplada no mapa astrológico. Não se sabe a índole, o caráter, ou o amadurecimento da pessoa através de seu mapa. A carta natal não determina o nível de consciência do indivíduo, e por isso não podemos saber de antemão o desfecho das situações.


Assim como o fato de Pinóquio escutar ou não o Grilo Falante impactava no resultado de suas atitudes, também sempre colhemos os frutos de acordo com nosso plantio. A maneira com que fazemos isso, tem relação direta com o entendimento profundo que temos da vida. Cada indivíduo possui seu próprio grilo interno, e pode, ou não, escutar o que diz essa voz.


Ao ler um mapa astrológico não conhecemos os valores éticos, princípios morais, caráter da pessoa em questão. Não sabemos o grau de consciência que ela possui. Portanto, não seremos capazes de dizer com precisão como as coisas acontecerão, pois tudo dependerá de como ela encaminhará a questão.


Esse é um ponto fundamental de ser entendido. Enquanto direcionarmos nossa atenção apenas para os fatos e acontecimentos concretos, esquecendo de cuidar do pequeno grilo falante que nos acompanha, continuaremos como bonecos, marionetes do destino. O propósito crucial da nossa existência é justamente desenvolver a consciência, pois é isso que nos torna efetivamente humanos.

 

 

 

 

 

 

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