• Cecilia Leite

O corpo como manifestação da alma

No texto Anatomia Sutil, vimos que nossos aspectos “impalpáveis” atingem diretamente o nosso corpo físico. Entendemos que somos compostos de várias frequências diferentes, entre elas nossos pensamentos e nossos sentimentos, que interagem o tempo inteiro. Hoje a ciência já consegue demonstrar como um pensamento influencia nas nossas células... Naquele artigo vimos também que cada órgão tem uma função energética, ligada à sua função física, que lida com determinados aspectos nossos, relacionados com um tema específico. Na MTC (Medicina Tradicional Chinesa) cada órgão tem relação com um sentimento, e se as emoções se desequilibram ali, esse órgão fica comprometido. Na filosofia hinduísta também é assim. Cada chakra se refere a uma dimensão nossa, e se liga a uma glândula e a um conjunto de órgãos. No presente texto, vamos então falar brevemente sobre qual o papel que cada órgão desempenha, sobre como o corpo conversa conosco.



Vamos começar pelo coração, que é a fonte da vida, o centro de nosso ser, em todas as tradições antigas. É o imperador dos órgãos e do nosso psiquismo na MTC. Regido pelo Sol na astrologia, representa a nossa essência. Hoje já se sabe que ele tem uma comunicação intensa com o cérebro, que acontece nas duas direções. Sim, ele envia sinais e informações para nosso cérebro o tempo todo! Portanto, a frequência do coração influencia nas decisões do cérebro, o que sentimos interfere no que pensamos. Ele distribui o sangue e nossos estados emocionais por todo o corpo. Assim, um coração desarrumado, desarranja todo o nosso sistema. Problemas no coração denotam dificuldade em expressar amor. Amor incondicional, amor pela vida e por todos os seres, plena aceitação de tudo como é, gratidão por tudo que existe. Ser autêntico consigo próprio, viver dentro da sua verdade. Amar a existência com todas as suas aparentes imperfeições. Como é difícil manter o coração saudável! Além disso, o chakra cardíaco se liga a glândula timo, cuja função principal é relacionada com a imunidade. Bloqueios aqui podem, além de diminuir a imunidade da pessoa e deixá-la mais vulnerável, predispor a doenças autoimunes, onde a pessoa se volta contra ela mesma e seu sistema imunológico começa a atacar suas próprias células. Esse é um caso típico onde o auto perdão, a auto aceitação e principalmente o amor por si mesmo podem fazer toda a diferença.


A respiração é um ato involuntário, que nos mantém vivos. Possui um ritmo: inspirar e expirar, expandir e contrair. Trata da troca, dar e receber, o que entra e o que sai. Os pulmões são o nosso maior órgão de contato, já que possui pequeníssimos alvéolos, que em área podem ocupar até 70m². É um contato indireto porém compulsório, não dá para não respirar, e também não dá para separar o ar que eu respiro do ar que os outros respiram... Todos estamos conectados pelo mesmo ar que respiramos. Portanto, os pulmões tratam de relacionamentos (todos os órgãos duplos falam de relacionamento em algum nível), nesse caso, com o meio que nos cerca. É comum crianças com problemas respiratórios se sentirem sufocadas pelo ambiente ao seu redor. Uma doença respiratória, pode, entre outras coisas, representar um desequilíbrio entre o dar e o receber. Na MTC, os pulmões estão relacionados à tristeza e à melancolia, que muito vem da pessoa sentir solidão. Sente-se sozinha, ainda que no meio da multidão. Na astrologia quem rege os pulmões é o signo de Gêmeos, também um signo que fala de comunicação com o meio, relacionamentos interpessoais.


A pele é um outro órgão de contato, que delimita nossas fronteiras. E quando não queremos que nossos limites sejam ultrapassados, manifestamos uma doença aí. A pele tem a função de proteção contra agressões de todas as naturezas, desde as microbianas até as térmicas. E também contra pessoas ou situações que nos amedrontam. Doenças de pele muitas vezes representam dificuldade de contato, a pessoa se defende do que ela julga ser uma invasão. Na MTC, pele e pulmões estão intimamente ligados. Podemos observar que é muito comum pessoas que tem bronquite, apresentar também dermatite. Na astrologia a pele é Saturno, limites...


O sistema digestório compreende muitos órgãos, com muitas funções diferentes, então vamos colocar apenas algumas referências. O estômago recebe os alimentos e deve fazer o trabalho mais pesado de quebrar a parte mais sólida para facilitar a assimilação. Da mesma forma, ele trata da gestão das nossas questões materiais diárias. Como lidamos com assuntos profissionais, dinheiro, problemas do dia a dia, reais ou imaginários. Quem tem a tendência a ruminar problemas, normalmente tem problemas no estômago. É ligado ao nosso poder pessoal, e quando a nossa autoestima está baixa, ele pode ficar sobrecarregado.


O fígado é um órgão polivalente com muito mais funções do que a maioria das pessoas imagina. Ele adoece quando cometemos exageros: de bebidas, de comidas, de remédios, de emoções descontroladas. Mostra que estamos querendo assimilar mais do que o que somos capazes. Quem rege o fígado na Astrologia é Júpiter, o planeta dos excessos. Quando a pessoa tem ideias exageradas, planos mirabolantes, ideais elevados demais, fica muito propensa à frustração e a lesionar o fígado. A vesícula biliar armazena a bílis produzida no fígado. A bílis é relacionada a energia de ação, e também da agressividade. Quando essa energia não flui, petrifica. E causa as pedras na vesícula. Falta de ação. Ou agressividade contida.


O intestino delgado faz a triagem entre o que é assimilável e deve ser absorvido pelo corpo, e o não assimilável, que vai para o intestino grosso. Assim, tem relação com a análise e a capacidade discriminativa. O intestino delgado tem uma ligação enorme com o córtex cerebral, é inclusive o maior produtor de serotonina do corpo. A dificuldade em assimilar as experiências, a forte tendência a julgar os acontecimentos em bom e ruim, a crítica excessiva dos fatos, pode indicar sofrimento do intestino delgado. Não por acaso, ele se relaciona na Astrologia, com o signo de Virgem. Já o intestino grosso, tem a função de eliminar o que não foi assimilado (atribuição de Escorpião na Astrologia) para evitar a nossa intoxicação. Problemas aqui indicam dificuldade de desapegar, recusa em romper, dificuldade de esquecer as más experiências, até mesmo uma timidez excessiva, ou dificuldade em doar, ter generosidade. O intestino grosso tem ligação com o escondido, e o medo que o inconsciente venha à luz.


Os rins são outros órgãos duplos, que tratam de relacionamentos, nesse caso, as parcerias. Na Astrologia, tem a correspondência com o signo de Libra. Nos relacionamentos pessoais, muitas vezes projetamos no outro a nossa sombra, e aí surgem as dificuldades. Os rins têm relação com nossos medos, conscientes e inconscientes. Esses medos podem inclusive se cristalizar na forma de cálculos renais.


Já a bexiga é outro órgão de eliminação, e também está sujeita a problemas quando temos dificuldades de eliminar nossas toxinas internas: velhas memórias, crenças antigas, hábitos nocivos. Ela lida com pressão o tempo todo, já que precisa conter o volume da urina. Quando não relaxamos a nível psíquico, acontece através da bexiga, o famoso xixi na calça. É muito comum as crianças que passam por pressões durante o dia, a noite urinarem na cama. Nosso sistema busca sempre o equilíbrio, e quando ele não acontece em um nível mais sutil, manifesta no mais grosseiro como forma de se curar.


O sistema reprodutor é onde a energia masculina yang deve se encontrar com a energia feminina yin, para a formação de um novo ser, expressão máxima da criatividade. Qualquer forma de criatividade só acontece verdadeiramente através do prazer, da capacidade de fluir. É preciso integrar internamente os princípios yin e yang, para poder então ter um relacionamento externo saudável. Enquanto esperarmos do outro, vamos vivenciar relacionamentos desequilibrados, onde uma dessas duas energias poderá prevalecer e trazer danos a nossa saúde física ou mental. Essa integração interna se mostra não só no aspecto sexual, mas principalmente no prazer e na alegria de viver. Uma vida criativa e produtiva proporciona um sistema reprodutor equilibrado.


Aqui demos apenas um panorama inicial sobre o complexo funcionamento do nosso sistema... Entender esse mecanismo é aprender muito a cerca de nós mesmos. Muitas vezes os sintomas mostram aquilo que não estamos conseguindo enxergar. O corpo é nosso maior aliado em nosso processo de autoconhecimento. Ele é honesto, autêntico, expõe as feridas. Não devemos sentir culpa, ou raiva, ou qualquer outro sentimento, ao perceber esses desequilíbrios em nós. E sim aceitar profundamente a nossa natureza, com compaixão e gratidão pelo nosso processo de crescimento, que muitas vezes se dá através de dores físicas.

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