• Cecilia Leite

Crenças limitantes


Cada um de nós enxerga o mundo sob uma ótica diferente. Tudo aquilo que nos cerca e nos acontece é experimentado por nós de forma única. As sensações, sentimentos, pensamentos que uma determinada experiência produz, são completamente diferentes de pessoa para pessoa. Podemos dizer que cada um de nós é um Universo. Por isso, é extremamente difícil, em muitas situações, entendermos as atitudes e posicionamentos alheios. Há de se utilizar de muita empatia, função de Netuno, para tentar se colocar no lugar do outro.


Muito do que vivemos, para não dizer TUDO o que vivemos, está ligado às nossas crenças. A nossa maneira particular de interagir com o mundo depende de como o enxergamos, de como acreditamos que as coisas acontecem. Nosso mundo interno se projeta no mundo externo, nossa vida é um reflexo daquilo que acreditamos. Como já escrevi em outros textos, especialmente no Anatomia Sutil, pensamentos geram emoções, que geram manifestações físicas. Está tudo ligado. E como a física quântica já explica, criamos a nossa realidade, o observador interfere no fenômeno que está sendo observado.


Assim, cada um enxerga a sua verdade. O mesmo copo, por alguns é visto como "meio cheio" e para outros como "meio vazio". Temos um filtro que faz com que observemos os fatos dentro de certos parâmetros, que são variáveis e particulares para cada indivíduo. E esse filtro normalmente se relaciona com memórias de situações que já vivemos. Assim, se tive uma experiência de falta de afeto, fico sempre na defensiva achando que não haverá afeto. Se faltou recursos, fico com o condicionamento da escassez.


A questão é que muitas dessas memórias são inconscientes, e nem percebemos que as carregamos, muito menos que elas estão condicionando nossas atitudes atualmente. Às vezes repetimos frases motivacionais, ou decretos, e não nos damos conta de que internamente a nossa crença é outra. E é essa, a interna, a que manda. Ou seja, precisamos nos conhecer, nos observar, para perceber realmente o que estamos vibrando.


Quando se fala em crenças, na Astrologia, podemos pensar em planetas como Júpiter e até como Mercúrio, que tratam diretamente da fé, do conhecimento e do nosso lado mais racional. Esquecemos de considerar a Lua, sede do emocional, repositório de nossas memórias (dessa vida e de outras para quem acredita), e que atua diretamente nas decisões que tomamos, embora nem sempre percebamos isso. Na realidade, é preciso se levar em consideração o nosso Mapa Natal inteiro para compreender como é o nosso universo pessoal. E esse universo inclui as nossas crenças, que como vimos, vão determinar a nossa vida manifestada. Assim é, se lhe parece.


Assim, através do mapa astrológico individual, conseguimos perceber como a pessoa enxerga a realidade, ou melhor, qual é a realidade para ela. Entendemos o filtro que ela usa, e portanto conseguimos compreender porque as coisas acontecem para ela de uma dada maneira. Um exemplo prático: Saturno na casa 2 pode indicar que a pessoa tem muita preocupação com dinheiro, tem medo de que falte. Assim, ela vai sempre achar que não tem o suficiente, e vai dizer que tem pouco dinheiro, por mais que para uma outra pessoa ela seja considerada rica. Tudo é relativo. Um milhão pode ser uma fortuna para uns e insuficiente para outros.


Dessa forma, para alguém, um problema simples de saúde pode ser desesperador, porque na visão dele (pelas dores e memórias que ele carrega) aquilo pode significar o fim. Para outro, os relacionamentos são muito difíceis, porque ele acha que ninguém é confiável. Para um terceiro, ter uma rotina de trabalho pode ser difícil porque ele não quer se sentir preso... As mais diferentes crenças compõem o cenário de cada um.


O que para mim é um problema para o outro pode não ser... Por isso é difícil conviver, pois tendemos a julgar a vida do outro através do nosso filtro, esquecendo que ele tem seu próprio jeito de enxergar a vida, suas memórias, suas dores. Não podemos julgar o nível de sofrimento de ninguém porque, para aquela pessoa, aquilo É assim.


Existem também crenças relacionadas a padrões familiares, e aqui é preciso entender que não é apenas uma questão da educação que pais dão para os filhos, ou algo que se adquire só com a convivência. Como escrevi no artigo A hereditariedade no mapa natal, todos os aspectos importantes em nosso mapa "herdamos" de nossos familiares. Melhor dizendo, carregamos aquelas crenças e precisamos nascer em um ambiente onde ela possa ser manifestada. Assim, nascemos em uma família onde vamos ter esse reforço. DNA cósmico e genético. Isso explica porque dentro da mesma família tem pessoas tão parecidas e outras com ideias tão diferentes. Não é só a educação que conta, precisa haver a predisposição. Quantas vezes vemos irmãos, com os mesmos pais, na mesma casa, com pensamentos tão diferentes...


Da mesma forma, o meio e a cultura em que vivemos influenciam em muitas crenças que carregamos. Mas, da mesma forma, precisamos ter alguma sintonia com aquelas ideias. Só aceitamos como verdade aquilo que já está dentro de nós.


Ou seja, a nossa vida é uma confirmação das crenças que temos internamente. E por que isso acontece? Porque é assim que nos desenvolvemos. Se não conseguimos perceber as crenças limitantes que carregamos, a vida se encarrega disso e manifesta situações nesse sentido, para podermos lidar com essas questões e superá-las. Muitas vezes, se a crença não se torna "palpável", como uma realidade a ser enfrentada, nem nos damos conta de que ela está lá. Faz parte do nosso caminho evolutivo nos libertar dessas interpretações limitantes para viver livremente o nosso destino. E só conseguimos fazer isso, se conhecermos essas crenças, que se tornam visíveis na forma de acontecimentos quando não conseguimos percebê-las de outra forma.


Assim, podemos dizer que a nossa realidade é ditada pelas crenças internas que carregamos, quer aceitemos isso ou não. Somos responsáveis por aquilo que nos acontece, e se mudamos internamente, a nossa realidade externa também se modifica. Sim, muitas coisas nos acontecem que aparentemente não conseguimos estabelecer a correlação de causa e efeito. Acreditamos não ter ligação alguma com o fato em questão, nos parece que estamos totalmente reféns de uma situação ou de uma outra pessoa. Mas se aprofundarmos nossa observação, vamos entender que em algum momento nos sintonizamos com aquele acontecimento.


Uma maneira fácil de enxergar isso é perceber que o outro só me afeta na proporção do que eu permito. Ou melhor dizendo, só vou me ofender com o que o outro fala, se concordar em alguma medida com o que ele diz, ainda que eu não admita isso. Se alguém me acusa de algo que eu tenho certeza que não sou, não darei crédito algum a essa pessoa, a julgarei fora da realidade. Mas, se em algum nível, eu tiver dúvidas sobre o que ela está dizendo, vou começar a me defender, listar argumentos que contradigam isso, e me ofender. O sofrimento que temos é nosso, ainda que muitas vezes precise de um outro para despertá-lo e nos mostrar que ele existe e está ali para ser cuidado.


Conhecer o seu Mapa Natal pode ajudar e muito a conhecer as crenças que você carrega. O mapa retrata as energias que nos permeiam, em todas as esferas, e pode indicar como lidamos com cada assunto da nossa vida. Hoje em dia existem várias técnicas que podem ajudar a limpar essas crenças, mas essa precisa ser uma transformação profunda. Só ficar repetindo frases com um conteúdo diferente não vai alterar o padrão que temos enraizado dentro de nós. É preciso ter a consciência, perceber de onde vem isso e quais as consequências que traz. É preciso envolvimento da alma para haver uma transformação significativa. Ficar apenas no discurso vazio não mudará internamente, e as situações externas vão continuar a se repetir.


Por isso conheça-se... Só você pode mudar a sua realidade...

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